Crise

Por causa dos ilusionistas é que hoje em dia muita gente acredita que poesia é truque...

Mario Quintana - Sapato Florido, 1948.

segunda-feira, 5 de março de 2012

PÉ ANTE PÉ

(Tela de Tarsila do Amaral)


Os pés do poeta detêm
o limite exato
de cada passo.

E o Tempo repassa
as dores com juros,
Ciência e Arte.

Os pés do poeta retêm
a possibilidade
de cada pegada.

E o vento devasta
as cores com louros,
insônia e Arte.

Os pés do poeta encantam
apenas os médicos,
senhores de bisturis e suturas.

(Assim ele transporta nua
sua terrível verdade crua)

E o Tempo revela-esconde
o escasso prazer que permeia
um andar quase impossível.



Jairo de Britto, em "Dunas de Marfim"

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