Crise

Por causa dos ilusionistas é que hoje em dia muita gente acredita que poesia é truque...

Mario Quintana - Sapato Florido, 1948.

sábado, 3 de março de 2012

ELA, SOB ÁRDEGO E CARO SUPLÍCIO

(Painting Fabian Perez)

Vem, atrela, alavanca e mais ordena.
Encanta, sua, assanha, sobrenada.

Solta o verbo; profere a sagrada
E profana ordenha. Nada quero à toa.

Diz para, como quer, e a que veio:
Com a Voz que me alimenta e creio.

Sobe, monta, morde e crava alvos
Dentes de marfim sobre cada seio.

Escava, finca, amolda, avilta meu Ser.
Dispa-me; grita como quer e devo ceder.

Na ponta e pente da Língua, mata:
A sede, com força e flauta de seda.

Ata-me em visgo e sal ao céu em cio:
Resgata da morte aquele infinito rio.

Jairo De Britto,
em “Dunas de Marfim”

3 comentários:

  1. De uma beleza insana,
    de um vigor e impetuosidade que,
    por meus olhos, despertam meu próprio
    e adormecido rio.
    Como em todos os poemas em que tive a
    honra de ler-te.

    Parabéns!

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  2. Querido Poeta! Belíssimo! Pulsante!!! Sapio! Eu tenho fome...

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