Crise

Por causa dos ilusionistas é que hoje em dia muita gente acredita que poesia é truque...

Mario Quintana - Sapato Florido, 1948.

quarta-feira, 7 de março de 2012

BARBARIDADE

(Tela de Edgar Degas)


A bárbara idade dos olhos,
que inquietos passeiam a face
e pousam lascívia e brilho
nos pares próximos.

A bárbara idade dos sonhos,
que despertos parecem eclodir
como aves de rapina ao relento.

A bárbara idade dos falos,
que compõem o rito dos signos
e explodem consoantes de si.

A bárbara idade dos amantes,
que sorvem o Tempo
com sonhos quase perpétuos,
além de caras carícias úmidas.

A bárbara idade se revela
encantamento próprio;
faz desfilar o cortejo de atos
que embalam sonhos e súplicas.


Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"

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