Crise
Por causa dos ilusionistas é que hoje em dia muita gente acredita que poesia é truque...
Mario Quintana - Sapato Florido, 1948.
quarta-feira, 14 de março de 2012
O PRATO DO DIA
(Paint by Alexander, John White)
Enquanto escrevo em dieta,
arranho e arranco cada som
em constante crescente débito.
Arco avenidas nos ombros:
trançando redes, afio sinfonias.
Enquanto escrevo sob alerta,
fisgo um fiapo de certa festa
em pródiga despensa de crédito.
Trago nos olhos jardins sem nome:
com versos redescubro alegrias.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
Enquanto escrevo em dieta,
arranho e arranco cada som
em constante crescente débito.
Arco avenidas nos ombros:
trançando redes, afio sinfonias.
Enquanto escrevo sob alerta,
fisgo um fiapo de certa festa
em pródiga despensa de crédito.
Trago nos olhos jardins sem nome:
com versos redescubro alegrias.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
CLARA POSTURA
(Painting by Albert Bierstadt )
Não peço desculpas
não peço licenças.
Não temo reconciliações
não tramo desavenças.
Não gosto da cínica paisagem
explícita no bárbaro asfalto.
Mas faço meu jogo confesso:
convivo com a dor que relato.
*Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
Não peço desculpas
não peço licenças.
Não temo reconciliações
não tramo desavenças.
Não gosto da cínica paisagem
explícita no bárbaro asfalto.
Mas faço meu jogo confesso:
convivo com a dor que relato.
*Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
BUSCA MARÍNTIMA
(Painting by Albert Bierstadt)
Encontrar no mar
todas as datas do ontem.
Como tartarugas
que sabem a sal e vento.
Encontrar no mar
todas as forças do homem.
Como bois
que lambem catarinas em farras.
Encontrar no mar
todas as favas do céu.
Como pássaros
que abrem asas vadias em centos.
Encontrar no mar
todas as algas do amor.
Como almas
que cobram presentes palavras.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
Encontrar no mar
todas as datas do ontem.
Como tartarugas
que sabem a sal e vento.
Encontrar no mar
todas as forças do homem.
Como bois
que lambem catarinas em farras.
Encontrar no mar
todas as favas do céu.
Como pássaros
que abrem asas vadias em centos.
Encontrar no mar
todas as algas do amor.
Como almas
que cobram presentes palavras.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
sábado, 10 de março de 2012
CANTO EM DÓ MENOR
Canto cada sílaba.
Com olhos de cabra-cega,
avisto fontes de muitas cores.
Canto cada nota.
Com olhos de ser primeiro,
diviso frondes de pares dores.
Canto cada rota.
Com olhos de faquir agreste,
adivinho mau tempo e dissabores.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
À DERIVA DO SER
De Camões a Gregório,
navego em Atlântico caos.
Nas mãos, o surrado
e mal escrito diário.
No que resta do corpo,
o pretensioso inventário!
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
quarta-feira, 7 de março de 2012
INTERVALO
(Painting by Anna Ancher)
Encantar
a vida, a forma
discreta do Ser.
Encantar
a orgia, a borda
esperta do crer.
Encantar
a morna espera do saber.
Até que a morte
nos amordace ou separe.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
Encantar
a vida, a forma
discreta do Ser.
Encantar
a orgia, a borda
esperta do crer.
Encantar
a morna espera do saber.
Até que a morte
nos amordace ou separe.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
PASSATEMPO
(Tela de Diego Riveira)
Cumular lírios
costurar esperanças
caminhar rente ao Rio
cultivar sonhos e risos:
Um disfarce mortal
que leva a vida alegre inteira.
Carregar dúvidas
corromper o tédio
construir venturas
cair de amor e cansaço:
Mistura fina de ocultos sorrisos
que levam a vida triste inteira.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
Cumular lírios
costurar esperanças
caminhar rente ao Rio
cultivar sonhos e risos:
Um disfarce mortal
que leva a vida alegre inteira.
Carregar dúvidas
corromper o tédio
construir venturas
cair de amor e cansaço:
Mistura fina de ocultos sorrisos
que levam a vida triste inteira.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
BARBARIDADE
(Tela de Edgar Degas)
A bárbara idade dos olhos,
que inquietos passeiam a face
e pousam lascívia e brilho
nos pares próximos.
A bárbara idade dos sonhos,
que despertos parecem eclodir
como aves de rapina ao relento.
A bárbara idade dos falos,
que compõem o rito dos signos
e explodem consoantes de si.
A bárbara idade dos amantes,
que sorvem o Tempo
com sonhos quase perpétuos,
além de caras carícias úmidas.
A bárbara idade se revela
encantamento próprio;
faz desfilar o cortejo de atos
que embalam sonhos e súplicas.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
A bárbara idade dos olhos,
que inquietos passeiam a face
e pousam lascívia e brilho
nos pares próximos.
A bárbara idade dos sonhos,
que despertos parecem eclodir
como aves de rapina ao relento.
A bárbara idade dos falos,
que compõem o rito dos signos
e explodem consoantes de si.
A bárbara idade dos amantes,
que sorvem o Tempo
com sonhos quase perpétuos,
além de caras carícias úmidas.
A bárbara idade se revela
encantamento próprio;
faz desfilar o cortejo de atos
que embalam sonhos e súplicas.
Jairo De Britto, em "Dunas de Marfim"
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